O Receio do Fenômeno

Texto por Luis Sérgio Marota

Excetuando-se as precauções sabidas em torno da produção de fenômenos mediúnicos, há que se citar aqui os receito natural em relação ao assunto, até por parte de espiritualistas.

Na introdução com que abrimos o primeiro número traçamos o plano que nos propúnhamos seguir: citar os fatos, mas também analisá-los e submetê-los ao escalpelo da observação; aprecia-los e deduzir-lhes as consequências. A princípio, toda a atenção se concentrou nos fenômenos materiais, que então alimentavam a curiosidade pública; mas esta tem o seu tempo e, uma vez satisfeita, perde-se lhe o interesse, assim como a criança que abandona um brinquedo. Então os Espíritos nos dizem: “Este é o primeiro período; em breve passará, para dar lugar a ideias mais elevadas. Novos fatos revelar-se-ão, marcando um novo período — o filosófico — e a doutrina crescerá em pouco tempo, como a criança que deixa o seu berço. Não vos inquieteis com as zombarias, pois zombarão dos próprios zombeteiros e amanhã encontrareis defensores zelosos entre os mais ardorosos adversários de hoje. Deus quer que seja assim e nós somos encarregados de executar a sua vontade. A má vontade de alguns homens não prevalecerá contra ela. O orgulho daquele que quer saber mais que Deus será abatido.” – Kardec

O Espiritismo hoje, no Brasil, estaria em seu período filosófico. Bom. No entanto, o problema é que, a didática é, para muitos de nós a seguinte: fenômeno (que nos sacode a alma e nos desperta para algo maior) e depois as consequências morais e filosóficas, para nossa modificação e a consequente modificação da humanidade.

No entanto, muitos de nós só conhecemos a Doutrina Espírita por meio de seus livros de doutrina e outros, como romances psicografados. Então, o que vemos hoje é que nem todos que se convenceram filosoficamente têm uma crença fundamentada e firme sobre a base de tudo o que aprendem – a crença na vida após a morte, com a conservação da individualidade e as devidas consequências filosófico-morais disso.

O período filosófico da doutrina é consequência natural, mas não desdenhemos o valor dos fenômenos físicos que nos chamam a atenção para a evidência da filosofia. A filosofia pura e simples é muito bonita, mas nós, não poucas vezes, nos valemos dela para filosofarmos e termos nela uma teoria de vida apenas. Não é de se admirar que muitos espiritualistas (espíritas inclusive), sob a escusa de não estarmos mais na era dos fenômenos, serem veementemente contra os fenômenos. O que não é razoável.

Pesquisadores como Kardec e os recentes já perceberam o medo filosófico-espiritualista que temos do fenômeno. Veja esta fala de Victor Zammit, pesquisador australiano, no seu The Afterlife Report da semana Maio/2015. Ele diz:

“COMMENTARY: ‘MATERIALIZATION’ is the greatest proof for the afterlife – it is also the most controversial issue amongst Spiritualists to-day. It is a mystery to me why some Spiritualists do not accept physical mediumship and materializations. They forget that physical mediumship created Spiritualism.

Allan Kardec, coincidentemente, fez a mesma pergunta na obra O que é O Espiritismo. Observe:

“Nas lições de filosofia clássica, os professores ensinam a existência da alma e seus atributos, segundo as diversas escolas, mas sem apresentar provas materiais. Não parece estranho que, quando se lhes fornecem as provas que não tinham, eles as repilam e classifiquem de superstições? Não será isso o mesmo que confessar a seus discípulos que eles lhes ensinam a existência da alma, mas que de tal fato não têm prova alguma?”

 

Veja também:

Estudando o The Afterlife Investigations

 

Juliano Pozati

Author Juliano Pozati

JULIANO POZATI É ESCRITOR, DOCUMENTARISTA E ENTUSIASTA DE NOVAS IDEIAS QUE INSPIREM A QUEBRA DE PARADIGMAS OBSOLETOS NAS ÁREAS DA ESPIRITUALIDADE, CIÊNCIA, FILOSOFIA E UFOLOGIA.

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