Por Gen. Paulo Roberto Y. De Miranda Uchôa, F.R.C

A Astronomia informa que a estrela mais próxima da Terra é a Alfa, da constelação do Centauro, distante de nós cera de 4,3 anos-luz, ou seja, a ‘’bagatela’’ de 40.681.440.000.000 quilômetros. Por outro lado, recentes resultados da moderna rádio astronomia nos dão conta de que estamos recebendo, agora, sinais luminosos de astro que se encontra afastado de nosso globo nada mais nada menos do que a estonteante marca de 22 bilhões de anos-luz.

Por sua vez, Albert Einstein afirmou que o homem jamais atingirá a velocidade da luz, pois, na medida em que uma nave se aproximasse dos 300.000km/seg, se transformaria em energia, o que, certamente, se constitui num fator impeditivo para qualquer tentativa de deslocamento de naves tripuladas a essas velocidades.

Então, seria o caso de concluirmos que, um dia, num futuro talvez não muito distante, tendo o homem conquistado todos os planetas de seu Sistema Solar, passará a contemplar o espaço Cósmico exterior, amargurado por ter que se conformar em apenas contemplá-lo, uma vez que qualquer tentativa de se aventurar em suas profundezas, em busca de ‘’conquistar’’ outros planetas longínquos, lhe tomaria um mínimo de centenas de anos, já que sua velocidade seria lenta, inferior à da lua, em obediência ao pensamento de um grande cientista do século XX.

Paradoxalmente, o homem, que se considera a expressão máxima da inteligência consciente manifestada no universo, seria um prisioneiro em seu próprio Sistema Solar.

Sem, nem de leve, insinuar crítica ou discordância quanto à exatidão das conclusões a que chegou o gênio de Einstein, ao qual, em reverência, rendemos a mais justa homenagem, vale a pena lembrar que essa sua teoria continua – e, pensamos, continuará sempre extremamente válida e correta quando aplicada ao universo para o qual foi elaborada: o universo do espaço  tridimensional.

As leis e princípios que conduzem à velocidade da luz, e que dela derivam, estão consagrados pela ciência e nos parece ser muito difícil tecer quaisquer considerações que os contrariem. Entretanto, essas leis e princípios informam o que se passa no contínuo espaço-tempo em que vive o homem da ciência clássica, ou seja, um universo limitado em três dimensões de espaço e uma de tempo.

Acontece que o próprio Einstein foi além quando lançou sua Teoria do Espaço Curvo, melhor entendida por um exemplo grosseiro de que esse mesmo cientista se valia. Dizia ele: ‘’Se tivéssemos uma lanterna elétrica, dotada de infinito e inesgotável poder, e pudéssemos acendê-la e apontá-la para o céu, apoiando o nosso braço em uma forquilha, permanecendo nessa posição por milhões de anos, um dia, com certeza, iluminaríamos as nossas costas’’.

Com esse exemplo, Einstein quis dizer que a luz não caminha em linha reta e que o espaço onde ela se desloca – e onde nos sentimos viver – é curvo.

Em síntese, podemos concluir que, no universo em que habitualmente nos situamos, a verdadeira menor distância entre  dois pontos não é a linha que conceituamos de reta, uma vez que esta, como a luz, inexoravelmente descreverá uma curva.

Que pode um estudante Rosacruz inferir de tudo o que até agora foi dito? Para responder, prosseguindo com nosso raciocínio lógico e desembaraçado de quaisquer preconceitos, vamos procurar organizar as ideias para nos posicionarmos sobre se o homem virá, ou não, a sentir claustrofobia por julgar-se enclausurado, para todo o sempre, em seu próprio Sistema, impedido de levar sua presença física aos espaços exteriores, amargando o destino que lhe acena, unicamente, com o contentar-se em contemplar a vastidão Cósmica.

Para isso, faz-se necessário abordarmos, com alguma profundidade, dois conceitos fundamentais: tempo e espaço.

Na verdade, os ensinamentos de nossas monografias nos dão conta de que o tempo não existe como uma entidade física. Em outras palavras, aprendemos que o tempo é uma medida de duração da consciência, uma condição imposta por nossa mente objetiva para comparar e relacionar eventos, também objetivos, quanto à sucessividade de sua consecução.

Como já dissemos, a ciência dos homens estabeleceu que vivemos em um universo tetradimensional constituído de três dimensões de espaço e uma de tempo. Comprimento, largura e altura são condições indispensáveis para que um objeto se torne perceptível aos nossos sentidos físicos, enquanto a consciência necessita de um mínimo de tempo para se dar conta desse mesmo objeto. É o contínuo espaço-tempo em que se acha inserido o homem com sua consciência objetiva do universo manifestado. Por convenção, essa fração de tempo está relacionada, ou melhor, vinculada aos movimentos de rotação e translação do minúsculo globo terrestre que nos serve de ‘’habitat’’.

O relógio foi inventado para marcar a duração em que  a Terra realiza uma volta completa em torno de seu eixo. Estipulou-se chamar dia a esse período que, dividido por 24, deu origem à hora, que originou os minutos, os segundos, os décimos de segundos e assim por diante. Em 365 dias a Terra descreve uma elíptica completa em torno do Sol, ao que convencionou-se chamar ano. Assim, a humanidade subordinou-se à Terra, ao Sol e ao relógio, para contar os seus fenômenos, a sua vida, a sua história.

Não é difícil, para mente lógica, deduzir que é absolutamente imprescindível a existência de um ponto de referência para que se possa absorver essa noção conceitual de tempo. Que dizer, então, do viajante espacial, habitante dos espaços interestelares, onde o local que ocupa no infinito não lhe proporciona qualquer ponto de referência de que se considere dependente, para que possa utilizá-lo na aferição do tempo por sua mente objetiva? Daí concluímos que no espaço cósmico não existem o ano, a hora, o minuto, o segundo ou os séculos, nem qualquer outra forma material que permita a marcação do tempo, o qual deixaria de existir, para ser entendido como nos dizer de Platão: “O Tempo é a imagem móvel da imóvel Eternidade.”

Por esse raciocínio, somos levados a depreender que aquilo que chamamos de tempo existe, é conceituado e tem influência marcante sobre nós unicamente quando relacionado com o espaço tridimensional. Se assim é, algo de diferente, com respeito ao entendimento do tempo, deverá ocorrer quando o ambiente espacial a que se refere incluir uma outra dimensão, ou seja, uma quarta dimensão de espaço. É chegado, pois, o momento de analisarmos esse aspecto. Para isso, voltemos à Teoria do Espaço Curvo de Einstein e ao seu exemplo da lanterna que, apontada para o céu, um dia iluminaria as nossas costas. Partindo desse exemplo, ocorre-nos uma analogia. Suponhamos que vamos fazer uma viagem de avião, do Brasil ao Japão, utilizando-nos do percurso mais curto, ou seja, a linha reta. Ao chegarmos ao Japão, se não tivéssemos os conhecimentos de que hora dispomos, poderíamos jurar que teríamos viajada em linha reta e que realmente nos teríamos deslocado cumprindo o caminho de menor distância entre os dois países. Entretanto, qualquer criança poderia nos dizer que teríamos descrito uma curva e que, na verdade, a menor distância até o Japão seria através de um buraco que cavássemos no chão, atravessando, agora sim, em linha reta, o globo terrestre.

Utilizando-nos de um outro exemplo, perguntemos a um experimentado comandante de marinha, acostumado à navegação de longo curso, se, para ele, a rota mais curta entre determinados pontos separados apenas pelo mar é a linha reta. Certamente, ele nos responderá que não, pois , por exemplo, a rota pelo equador, apesar de aparentemente reta para quem se encontra a bordo, é a mais longa de todas. É preferível seguir uma ‘’rota em trapézio’’, aproveitando os conhecimentos sobre a curvatura da Terra, seus meridianos e paralelos.

Há, ainda, o caso da formiga colocada sobre uma laranja, que se utiliza do caminho mais curto para atingir o torrão de açúcar que colocamos no lado oposto. Se ela encontrasse um ‘’buraco’’ na laranja, certamente chegaria ao seu destino em menos tempo e percorrendo menos espaço.

O buraco na laranja para a formiga atingir o torrão de açúcar e o buraco na Terra para chegarmos ao Japão, são exemplos que ilustram a posição de alguns renomados cientistas de hoje,  seguidores de Einstein e que trabalham no desenvolvimento de sua ‘’Teoria do Espaço Curvo’’. Para ele, basta que encontremos os buracos no espaço para que cheguemos a Alfa de Centauro mais rapidamente, sem imitarmos a luz e a formiga, que perdem tempo deslocando-se em curva.

Encontrados esses ‘’buracos’’, através deles viajaríamos em um tempo diferente, já que nos deslocaríamos em uma quarta dimensão do espaço, isto é, fora, ou para além daquelas três dimensões que nos são habitualmente condicionantes. Durante o trajeto estaríamos no ambiente do ‘’hiper-espaço’’, segundo a terminologia adotada por diversos cientistas e pesquisadores do ramo. E através dele talvez chegássemos a Alfa de Centauro em poucos minutos. Essa é a grande esperança contra a ameaça de ‘’claustrofobia’’ que parece assustar o homem do futuro.

No Universo não há obstáculos para o homem. Há leis. Algumas já conhecidas e utilizadas por ele. Outras que esperam ser descobertas. Outras há, ainda, que para serem intuídas, impõem que o homem se eleve a níveis onde deverá colocar em ação outras faculdades de mente e consciência , até agora fora do alcance de seu atual grau de desenvolvimento.

O estágio em que nos encontramos exige que estejamos integrados na conceituação tradicional de tempo e espaço, para vivemos, no aqui e agora, como seres vivermos, no aqui e agora, como seres viventes de uma humanidade encarnada em um dos astros selecionados pelo Cósmico para apresentar as condições necessárias à manifestação da vida. Por isso, enquanto dependermos do mundo dito material, devemos portar um bom e preciso relógio para exercemos a virtude da pontualidade e praticarmos nossas ações de acordo com o saudável princípio do planejamento.

Felizmente, a Ordem Rosacruz nos abre os horizontes que nos permitem antever o futuro sob um prisma de otimismo crescente, na medida em que vamos expandindo nossa consciência em direção à compreensão e ao domínio das leis mais elevadas que governam este ou esses universos, em cujas profundezas estaremos presentes um dia, como que para incrementar e continuar participando da Grande Obra que ajudamos a criar, já que somos um segmento da Alma, da Consciência e da Mente do Grande Arquiteto.

Juliano Pozati

Author Juliano Pozati

JULIANO POZATI É ESCRITOR, DOCUMENTARISTA E ENTUSIASTA DE NOVAS IDEIAS QUE INSPIREM A QUEBRA DE PARADIGMAS OBSOLETOS NAS ÁREAS DA ESPIRITUALIDADE, CIÊNCIA, FILOSOFIA E UFOLOGIA.

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