Essa semana batemos um longo papo com Fábio Medeiros, que vai dirigir o documentário Quando lembro de Chico, e vamos compartilhar com vocês o resultado dessa conversa.

Fábio também dirigiu o Data Limite, em 2014, e comentou que a expectativa para produzir o filme esse ano é alta! “Falar de Chico Xavier sempre é demais! Apenas o seu nome é capaz de movimentar muita gente e foi o que confirmamos com o Data Limite. Era só citar Chico que as pessoas se animavam!”.

E não pense que para esse filme está sendo diferente. Fábio já recebeu vários e-mails de pessoas pedindo para trabalhar na produção do documentário.

Confira um trecho da entrevista abaixo.

Iasmine: O Fábio de hoje não é mais o de 2014. O que você traz de novo para essa produção?

Fábio: Realmente eu sou bem diferente de 2014. Hoje sou mais cético do que era naquela época. Eu gostava muito do assunto ufologia, mas hoje, confesso, tenho um pouco de ranço do termo. Acredito que existem ET’s, mas que isso não faz influencia na minha vida. Obviamente que se aparecesse um alienígena na minha frente eu o reconhecia como tal, mas isso não me geraria nenhuma reviravolta. A mesma coisa acontece com a espiritualidade. Notei traços nocivos da igreja católica dentro do espiritismo, como pessoas intocáveis e inacessíveis. Depois de estudar o cristianismo pela vertente espírita, pude perceber que é muito mais simples viver com seus ensinamentos do que se imagina. Basta fazer a reforma íntima. E foi com Chico que eu aprendi grandes lições morais. Ele me ajudou a entender que espiritualidade está muito longe de religião e que isso significa ser uma pessoa melhor, buscar entender e aceitar o próximo, sem a necessidade de mudá-lo.

Iasmine: E no lado profissional, qual o novo olhar do Fábio versão 2018?

Fábio: Eu sou fotógrafo desde 93 e em 2008 notei que o audiovisual e o cinema me encantavam. O Data Limite veio para selar essa questão e me fez experimentar algo mais ligado ao cinema. Depois dessa experiência de guerrilha: direção, produção, fotografia etc., percebi que não dá pra fazer cinema assim. Por isso, a proposta hoje é mais profissional. Há muitos detalhes importantes e assumir multitarefas para fazer tudo sozinho é uma grande furada (risos). Para o Quando lembro de Chico, estamos preparando uma equipe de produção. Estou pessoalmente escolhendo um diretor de fotografia capaz de retratar realmente quem o médium era e toda a poesia em torno do nosso, digamos assim, herói. Contudo, enfrentamos um grande desafio: A VERBA!

Iasmine: A gente sabe que o cenário de filmes espíritas e espiritualistas sempre tem uma abordagem padrão, clichê e, muitas vezes, cafona. E nós, da Pozati, primamos por conteúdo de qualidade e bem produzido para exportar o Chico para mundo. O que tem na sua cabeça bolado para esse documentário? Poderia nos contar um pouco do que vai vir por aí?

Fábio:  O modelo documentário tem uma receita básica. Tipo aquela receita de bolo padrão e que para dar sabor, basta acrescentar o ingrediente especial. E a minha grande aposta está em retratar o Chico de forma poética. Ele era um ser humano especial, simples, dócil e amoroso. Então, a proposta do nosso filme é ser rústico e simples, ou seja, não esperem 3D ou efeitos visuais. Outra proposta é colocar o espectador na mesa desse grande bate-papo, fazendo a pessoa se sentir dentro da cena, um verdadeiro amigo da intimidade do Chico, sentado à mesa como os demais. Você acredita que pensei na proximidade que os youtubers têm com seu público para me inspirar nessa relação de proximidade, de ser amigo; é essa a linguagem atual e a gente precisa estar por dentro!

Iasmine: Fábio, me conte um pouco sobre os seus outros projetos…

Fábio:  Olha Iasmine, vou de confessar uma coisa, eu não faço filme por fazer filme. Gosto de coisas que trazem uma mensagem de reflexão para as pessoas. Tenho cada vez mais trabalhado com projetos de cinema, mas todos eles sempre buscam trazer certa reflexão para quem assiste. Tem coisa boa vindo por aí! Aguardem!

Iasmine Pereira

Author Iasmine Pereira

Jornalista, bruxona e Coordenadora de Comunicação da Pozati Filmes, Iasmine é parte do time do Círculo, uma galera que literalmente "sees dead people".

More posts by Iasmine Pereira

Join the discussion 2 Comments

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.