Texto de muita reflexão recebido do amigo Jhon Harley. Jhon participa do documentário QUANDO LEMBRO DE CHICO.

Nos anos que pude conviver com Chico Xavier o que mais me chamou a atenção não foram suas extraordinárias faculdades mediúnicas, mas a sua humanidade. Sendo tão humano quanto nós, ele deu tão sentido à sua humanidade que se tornou um homem “diferente” vivendo no futuro do seu tempo e da sua época, e, por isso mesmo, tão incompreendido e, ao mesmo tempo, tão solitário.

Lembro-me que em nossas conversas em absoluta descontração, sem a presença da imprensa ou de estranhos, ele manifestava, mineiramente, suas opiniões. Um homem simples que ficava profundamente constrangido com os elogios. Aliás, não sei como ele sobreviveu com tantas bajulações. Era para ele ter sido o “cara” mais “marrento” do mundo, como diria o bom carioca. Elogios exagerados de espíritas e não espíritas, empresários, artistas, políticos… Eu mesmo tentei agradá-lo algumas vezes (sic). Nasceu simples, viveu simples e morreu simples.

Como amigo, historiador e biógrafo da vida e obra de Chico Xavier, compartilhamos algumas impressões. E mesmo com toda a sua sabedoria, tínhamos discordâncias de opiniões. Qual o problema? Viva a Diferença! Talvez por isso a nossa amizade tenha se estendido por 21 anos e somente foi interrompida com a sua desencarnação. Por exemplo, para Chico Xavier que nasceu no início do século passado o provedor da casa deveria ser o homem. Mulher deveria, sobretudo, se responsabilizar na educação dos filhos. Tempos diferentes os de hoje, não é mesmo? Ao mesmo tempo foi capaz de psicografar uma obra como “Vida e Sexo” em plena ditadura militar e que permanece atualíssima. Fiz o meu curso de psicologia às “escondidas” de Chico Xavier, pois ele tinha manifestado com alguns amigos certa resistência nos tratamentos no campo da saúde mental, por uma série de razões que não vale aqui descrever. Por coincidência quando me formei em Educação Física em 1983 enviei o convite da formatura e ele enviou um telegrama dizendo-se impossibilitado. Entretanto, quando mandei o convite de formatura do curso de Psicologia em 1988 ele nada respondeu. Na geladeira de sua residência foi colocado (provavelmente com o seu consentimento) um adesivo do então candidato Fernando Collor. Eu votei em outro candidato. E nem por isso deixamos de nos amar e respeitar.

Tenho dito que uma das maiores qualidades do Chico era o RESPEITO PELAS DIFERENÇAS. Ele nos dizia que todo mundo tem direito de expressar a sua opinião, mas dizer de uma maneira que não silencie o que o outro tem para dizer. Quando alguém pensa diferente costumamos dizer que o outro está desequilibrado, pelo simples fato de não pensar da mesma forma. Exercício difícil, principalmente observando o comportamento nas redes sociais. 

RESPEITO! TOLERÂNCIA! DIVERSIDADE! INCLUSÃO! Valores que sempre estiveram presentes na vida e obra deste missionário do amor e da caridade.

Jhon Harley

QUANDO LEMBRO DE CHICO será um grande testamento audiovisual, não só dos exemplos de amor e fraternidade deixados por Chico, como dos frutos das sementes por ele espalhadas no coração de seus amigos mais próximos.

Para participar, acesse http://filmes.pozati.com/chico-xavier/ e faça a sua contribuição!

Juliano Pozati

Author Juliano Pozati

JULIANO POZATI É ESCRITOR, DOCUMENTARISTA E ENTUSIASTA DE NOVAS IDEIAS QUE INSPIREM A QUEBRA DE PARADIGMAS OBSOLETOS NAS ÁREAS DA ESPIRITUALIDADE, CIÊNCIA, FILOSOFIA E UFOLOGIA.

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